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Caos e calma



Desde pequenina me dizem que tenho "facilidade 'de' escrever". Mal sabem, coitados, a dificuldade que é colocar em palavras todo o turbilhão de pensamentos, ideias e emoções. Acho que eu tenho mesmo é facilidade em sentir, seguida de uma problemática imensa que é organizar esses sentimentos.

Tem horas que a gente sente que precisa escrever, sabe? Mas a respeito de quê? Tantas coisas tentando transbordar ao mesmo tempo que forma-se uma cachoeira turbulenta, daquelas que é impossível ver além da espuma d'água. E dali, nada sai, nada flui.
Dizem então que poetas são bons fingidores, do que eu também discordo. A musicalidade dos versos só se cria se o coração tiver cheio, ou vazando de tanta dor.
E todo o caos é necessário para que as palavras fiquem embaralhadas na minha mente, até que em um rompante eu consiga parar e, sem nem sequer pensar, despejá-las de uma vez em uma folha branca. Ufa! Sinto-me aliviada, finalmente.
E um vão silencioso imediatamente se forma. Cadê todo o barulho da minha cabeça? Coube tudo naquelas poucas linhas? Essa é a calma que procurava, afinal, ou preciso mesmo do caos?

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