20 dias se passaram desde que perdi tanto que nem saberia mensurar: possibilidades infinitas - como seria? o que faria? como sorriria? Uma vida inteira que jamais poderei responder. Procurei apoio na sororidade plástica e vazia, gritei a dor a outras mulheres e elas não me acolheram. Ouvi até que "seria melhor assim", veja só, quem pode decidir por mim o que é melhor? Insensível, cruel comentário sobre alguém que tão cedo se foi. E doeu mais ainda, sangrei de corpo e alma sua partida de forma silenciosa.
Colo de mãe não tive, apenas o velho travesseiro para absorver as lágrimas. Faltaram abraços confortantes, palavras de carinho, uma simples companhia. Nada disso tive. Sua perda tão repentina me fez entender que a minha solidão tem que ser também solitude. Me mostrou uma força que eu não sabia que tinha para tentar salvar todo o resto da nossa família enquanto você ia embora. Me fez entender que sou como o sol e como o horizonte - distantes do amor, mas admirados por muitos. Ninguém os toca, só os apreciam quando estão belos.
Não tive o luto aceito ou sequer validado, precisei continuar renascendo como o
sol no horizonte todos os dias mesmo querendo que alguém compreendesse a dor
que há em mim. Mas só eu sei, só eu saberei, afinal é da dor que os poetas
vivem. E se aqui estivesse, dar-lhe-ia o nome de George, como meu poeta
favorito. No fim das contas, são nas palavras que acho algum conforto hoje para falar
de ti.

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